O Sucessor

#32 Fomos adotados, eu e minha família, por um cachorro de rua chamado Bénya Krik.

Olá.

Hoje é sexta-feira, 5 de março do segundo ano desta maldita pandemia.

A história de hoje - para quem já leu, recordar é viver; para quem ainda não leu, muito prazer, é o primeiro capítulo do livro “Não me abandone - A Saga de Bénya Krik, um Cão de Rua, Contada Pela Família Que Ele Adotou” - serviço lá embaixo.

Entre um comercial, um latido, um gole e um bj, boa leitura e bom fim de semana.


O SUCESSOR

Fomos adotados, eu e minha família, por um cachorro de rua chamado Bénya Krik.

Quando fomos adotados ele já tinha esse nome e eu ainda não sabia quem era Bénya Krik, mas isso é outra história.

O que interessa agora é que Bénya era um cão de rua e que um dia apareceu sentado na soleira de nossa porta. Sentou, temperamento forte, e só saiu dali no momento em que aceitamos ser adotados por ele. Não bastou abrir a porta, Bénya somente entrou com a família toda perfilada a olhar para ele que, sem se fazer de rogado, passou a tropa em revista – nossa vida nunca mais foi a mesma.

Alegre, brincalhão, fiel, leal e esperto como o diabo, assim também era o Bénya. Digo também por que sua principal  característica era ser sábio e cruel como um rei – daí o nome Bénya Krik, mas já foi dito que isso é outra história.

Bénya exercia sua majestade intervindo nas brigas de família, sentando ao lado dos que precisavam de consolo, levando para passear quem estivesse com a alma agitada e, diariamente, mostrando com olhares, rosnados e latidos para toda a rua quem era o rei por ali.

Nos últimos tempos Bénya andava cansado e os passeios ficaram cada vez mais raros. Surpreendentemente, duas semanas atrás, Bénya começou a nos levar para passear como há muito não fazia: todos os dias, e com passeios cada vez mais longos.

Essa rotina durou exatos dez dias. Seguiu até o momento em que nosso rei fixou o olhar em um pequenino morador de rua de olhos luminosos. Só sossegou, entre latidos de mando, quando o pequenino cão, escoltado, entrou em nossa casa.

Bénya morreu no dia seguinte.

Agora, temos o Sucessor.

Vitor Bertini


A história lembrou alguém?

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