Os Verbos da Vida de Pedro Mortar

#50 Quando Clarice mostrou um livro, Pedro resolveu casar.

Olá.

Hoje é sexta-feira, dia de querer tudo, não fazer nada e achar bom.

Entre conjugações, coisinhas para beliscar, leituras, goles e um bj, boa leitura e bom fim de semana.


OS VERBOS DA VIDA DE PEDRO MORTAR

A vida de Pedro Mortar foi uma conjugação de poucos verbos. 

Ainda menino, nascido em local para não lembrar, aprendeu o sentido do verbo trabalhar. Brincar, passear e namorar, todos da primeira conjugação, nem pensar. Estudar? Só se precisar.

Quando Clarice mostrou um livro, Pedro resolveu casar. Depois, viajar.

Na cidade grande fez dois filhos e o que sabia, trabalhar. Abriu uma loja; o importante era ganhar.

Ficou rico. Clarice educou os filhos; Pedro só sabia reclamar.

Ficou famoso, convidado a palestrar.

A filha virou mulher, foi morar longe, se afastar. O filho, ao seu lado, na loja, foi obrigado a sentar.

Clarice, sempre só, na segunda conjugação, foi viver, crer, ler, adoecer e morrer.

Pedro não sabia rezar. 

Naquele dia, ele entrou no quarto da esposa pela primeira vez, desde a separação de corpos. Alisou a colcha, cheirou a pashimina, apanhou um livro qualquer, sentou na cadeira de balanço e começou a chorar.

No outro dia, cedo, Pedro foi trabalhar.

Vitor Bertini


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  • Ontem, tudo por aqui era ficção;

  • Sexta, dia 16, tem mais.