Perguntas e Respostas

# 55 Sobre o bloco, servindo de peso, uma réplica metálica de uma pequena ratoeira.

  
0:00
-2:04

Olá.

Hoje é uma sexta-feira com novidades para todos os lados.
Aí em cima, uma pequena experiência: para quem quiser, o texto narrado pelo locutor que vos fala.
Lá em baixo, simplesmente porque gostei, dois comentários que recebi sobre a história da semana passada.

Entre a força de uma resposta, páginas, goles e um bj, boa leitura e bom fim de semana.


PERGUNTAS E RESPOSTAS

Todos já estavam em suas baias quando Mônica chegou. No caminho até a placa com seu nome, ela atravessou a sala distribuindo sorrisos, pequenos acenos, murmurando cumprimentos e gerando silêncio. Trazia uma bolsa vermelha à tiracolo e, na mão que não abanava, um livro. Era seu primeiro dia na companhia.

Depois, já sentada, montou seu ambiente de trabalho: uma caneca branca vazia, uma caneca vermelha cheia de lápis apontados, um porta-retratos novo - ainda sem foto, e um bloco de notas. Sobre o bloco, servindo de peso, uma réplica metálica de uma pequena ratoeira. Ao lado das canecas, ao alcance da mão, seu livro: uma edição de A Montanha Mágica, de Thomas Mann, com 475 páginas.

O silêncio no departamento só foi quebrado alguns minutos mais tarde.

– Será que ela vai ler aquele livro todo, ou é só narrativa? – perguntou uma voz sem dono.
– Uma pessoa não é estúpida porque não consegue fazer perguntas. Mas, justamente, porque ela não consegue esconder isso quando faz as perguntas – respondeu serena, a única voz feminina presente.

Hoje em dia, muito tempo depois do primeiro dia, o porta-retratos tem uma foto antiga de família, a ratoeira continua sobre o bloco de notas e muitos na empresa tem um livro sobre a mesa. Nem todos gostam da Mônica.

Vitor Bertini


Recebi como respostas à história da semana passada. Gostei:

Oi, Bertini, 
Esse conto está ótimo! Cheio de humor e sutil ironia. Parabéns! 

Rsrsrsr. Em 2019 uma gatinha invadia meu ap. Eu curtia a cia dela. Às vezes ela passava o dia todo comigo, outros vinha comer, receber uns carinhos e já se ia. Ficava dias sem aparecer, me deixava na preocupação se ela estava bem. 

Por duas vezes ela me levou camundongo de presente. Numa o bichinho estava vivo. Consegui prendê-lo e soltei num terreno vazio nas redondezas.

Share

  • Você conhece a Mônica? É outra. Esta aqui é ficção;

  • Sexta, dia 20, tem mais;

  • Mensagem na garrafa: você que chegou até aqui por curiosidade, gosto ou preguiça, ajude o autor clicando em qualquer botão vermelho perdido por aí.