Biscoitos de canela

#74 Amanda, desde sempre, visitava toda a família no dia de Natal.

  
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Lapônia, 24 de dezembro de 2021.

Entre perdões, páginas, beijos e queijos, boa leitura e feliz Natal!


BISCOITOS DE CANELA

Amanda, desde sempre, visitava toda a família no dia de Natal. Começava cedo e fazia o roteiro a pé.

Na casa de uns distribuía conselhos, na de outros, sorrisos. Na chegada da noite, rezava. Às vezes, cantava. Na última das casas, vestia-se de Papai Noel, distribuía os presentes sob a árvore e repartia seus famosos biscoitos de canela.

Um dia, sem seus óculos, já vestida de vermelho, entrou em uma casa errada.

Apressada, ignorou a discussão e os gritos que ecoavam na vizinhança, pediu silêncio, saudou quem não chamava-se Ênio, riu quando todos riram, foi à árvore, pediu auxílio na leitura para a suposta Iolanda, começou a chamar em voz alta os nomes escritos nas etiquetas e distribuiu os presentes.

Depois, cantou, convidou todos a rezarem, aceitou um pedaço de torta e repartiu seus biscoitos.

Na saída, guiada pelo involuntário anfitrião, colocou os óculos e despediu-se:

– Espero ter ajudado.

De volta à rota da família, realmente atrasada para a última visita, desculpou-se pelo horário e pela falta dos confeitos de canela:

– Tem gente que precisava mais.

Vitor Bertini


Você já experimentou?

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  • Amanda era minha tia-avó e vestia-se de Papai Noel. A história eu inventei;

  • Sexta, dia 31 de dezembro, the last day of the year, tem mais;

  • Mensagem na garrafa: você que chegou até aqui por curiosidade, gosto ou preguiça, ajude o autor clicando em qualquer botão vermelho perdido por aí.


FATIAS DE LIVRO

Heinrich von Kleist (1777-1811) foi um escritor alemão que esteve por aqui na semana passada. Voltou:

Em M., grande cidade do norte da Itália, a marquesa de O., senhora de reputação ilibada, viúva e mãe de vários filhos bem-educados, publicou a seguinte notícia nos jornais: que, sem que soubesse como, estava grávida; que gostaria que o pai da criança que daria à luz se apresentasse; e que estava decidida, em consideração à sua família, a desposá-lo.

A Marquesa de O., Heinrich von Kleist, Colares Editora, 1997